S, uma criança autista de 6 anos do Cazaquistão, concluiu recentemente em Pequim as avaliações prévias e iniciou o tratamento inovador de Transplante de Microbiota Fecal (FMT).
Os desafios do autismo
Com maior conscientização em saúde e métodos de avaliação mais científicos, o autismo infantil vem sendo descoberto e diagnosticado cada vez mais cedo. No entanto, com o aumento significativo dos casos, os desafios para famílias e sociedade também se tornam mais evidentes.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades sociais e comportamentos repetitivos ou estereotipados, frequentemente acompanhado de outros sintomas. No caso da criança S, há atraso significativo de linguagem, apetite reduzido com desnutrição, perda de peso e constipação, além de pele mais sensível e reações alérgicas frequentes.
Transplante de microbiota fecal (FMT) traz uma esperança para crianças com autismo
Nos últimos anos, estudos descobriram que a microbiota intestinal se comunica bidirecionalmente com o cérebro pelo eixo intestino-cérebro e desempenha papel importante na patogênese do TEA. O equilíbrio entre sinais excitatórios e inibitórios na atividade neural também é considerado um mecanismo central, e sua ruptura pode estar relacionada à microbiota intestinal e seus metabólitos.
Por isso, o transplante de microbiota fecal (FMT), que transfere microbiota intestinal de um doador saudável qualificado para o paciente, é considerado uma estratégia terapêutica promissora.
Essa estratégia foi testada em um pequeno ensaio clínico pioneiro da Arizona State University, com resultados publicados na Scientific Reports.
Alguns estudos acadêmicos sobre FMT e autismo
O estudo incluiu 18 crianças com TEA moderado a grave e problemas gastrointestinais importantes, tratadas com FMT e acompanhadas por longo prazo.
O processo incluiu inicialmente duas semanas de pré-tratamento para reduzir parte da microbiota original, seguido por FMT de alta dose em um dia ou FMT de baixa dose por 7 a 8 semanas.
Os resultados ao final do tratamento e dois anos depois mostraram:
Sintomas gastrointestinais: a gravidade melhorou em média 80%.
Sintomas comportamentais: ao final do tratamento, a gravidade dos sintomas autísticos caiu em média 22% em avaliações como a escala CARS. Dois anos depois, a melhora foi mantida e até ampliada, com queda média de cerca de 47%, sugerindo efeito potencialmente duradouro.
Microbiota intestinal: a diversidade bacteriana aumentou significativamente, e a proporção de bactérias benéficas permaneceu alta mesmo após dois anos.
Ainda assim, é preciso cautela: o estudo teve apenas 18 participantes. Embora os resultados sejam encorajadores, ensaios clínicos maiores ainda são necessários. Também há diferenças individuais importantes: nem todas as crianças respondem da mesma forma.
Um processo de tratamento científico e rigoroso
Depois de compreenderem melhor a tecnologia FMT, os pais de S decidiram tentar o tratamento o quanto antes. A Harbor Health entendeu essa necessidade e ajudou a família a elaborar um plano com hospitais de ponta e laboratório de FMT em Pequim.